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30/10/2007
Anorexia?
Não deve ser fácil viver sob o constante registro de paparazzi e ter seus mínimos passos clicados e distribuídos por portais mundo afora, já no minuto seguinte. Foi justamente por causa dessa fome midiática que percebemos, um dia após o outro, como Angelina Jolie perdia peso. Quem foi ao cinema testemunhar seu trabalho mais recente notou que a tela também não mente: ela está, de fato, vários quilos abaixo do peso. Como não poderia deixar de ser, as fartas imagens tiradas de cenas cotidianas deram origem a rumores sobre uma suposta anorexia. Tudo não passava de especulação, mas, como a atriz continuasse a perder peso, os boatos ganharam corpo. Então, há algumas semanas, seu irmão veio a público dizer que ela estava mais magra simplesmente porque, desde a morte da mãe, em janeiro, não comia bem. Garantiu que não se tratava de anorexia, e que ela estava apenas muito triste. Como especular é um passatempo universal, não demorou para que alguns sites e blogs começassem a alardear uma doença fatal que estaria vitimando a atriz. Nada de concreto foi dito, e somente as imagens de Angelina cada vez mais magra alimentavam as especulações. Brad Pitt, também diziam os rumores, andava preocupado, cabisbaixo, muito triste. Recentemente, Angelina ganhou alguns quilos, o que serviu para apaziguar a fúria da boataria. A atriz também revelou que pretende fazer de 2008 um ano sabático para cuidar da forma e da prole. Como, por enquanto, tudo o que se fala sobre seu suposto distúrbio alimentar não passa de boato, é preciso aguardar as cenas do próximo capítulo dessa vida muito real e estranhamente ordinária para se tirar uma conclusão.
(Redação Marie Claire) |
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28/10/2007
Os Sentidos do Vinho
Clássico sobre o vinho desmistifica a bebida - tanto para os leigos quanto para os enófilos
Matt Kramer derruba todos os mitos, desafiando aqueles que acreditam que vinho é algo a ser apreciado somente pelos iniciados em tradições místicas. Leitura obrigatória, tanto para o iniciante como para o mais dedicado enófilo.
The Washington Post
"Cheirar a rolha não nos ensina nada [sobre a qualidade de um vinho], assim como tampouco podemos depreender algo sobre a qualidade de um sapato cheirando uma meia". Para os "não-iniciados", o mundo dos vinhos pode parecer mais uma confraria secreta, cheia de códigos obscuros, rituais sagrados e doutrinas de nomes estranhos como chardonnay e beaujolais. Em Os Sentidos do Vinho (Conrad Editora, 240 págs. R$ 43), Matt Kramer ensina que nem sempre tais códigos significam alguma coisa de concreto - e eles não são tão necessários para se apreciar corretamente um bom vinho.
Os Sentidos do Vinho é uma obra desmitificadora. Kramer, colunista da revista Wine Spectator, utiliza conhecimento científico, bom senso, linguagem clara e comparações espirituosas para explicar ao leitor sobre os processos de fermentação, os vidros, garrafas e taças adequados, as adegas climatizada, as denominações controladas, sempre com perspectiva histórica e argumentos precisos.
Kramer era editor de gastronomia de um jornal semanal - e passou a escrever sobre vinhos depois de uma decisão comercial do semanário em incluir uma coluna de vinhos para angariar novos patrocinadores. Sem saber nada sobre o assunto, ele iniciou uma longa pesquisa, comparando obras clássicas sobre vinhos e gastando milhares de dólares em caixas e caixas de vinhos de diferentes uvas e denominações. Os Sentidos do Vinho começou a ser escrito nessa época, como resultado de suas pesquisas, sempre abordando o tema (espinhoso, para um leigo) com curiosidade, rigor e objetividade jornalística.
Fugindo ao pedantismo que caracteriza as obras sobre o tema, o autor conseguiu reunir teoria e prática, fatos e dicas capazes de fascinar em igual medida enófilos e neófitos, demonstrando com sua prosa direta e esclarecedora que compreender e apreciar os vinhos não são tarefas exclusivas para iniciados, mas prazeres ao alcance de todos.
(Oliver Quinto) |
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27/10/2007
Sobre Rolex e abortos
A polêmica do Rolex do Huck saiu de cena e deu lugar a polêmica do aborto de Cabral. Tudo porque o governador do Rio, que fala muito e não parece preocupado em cruzar as fronteiras do tabu, saiu dizendo que a legalização do aborto poderia diminuir a criminalidade, dando a chance de interrupção da gravidez a mulheres das comunidades carentes. Em resumo: a marginalidade vem do morro. Cabral falou demais e não colocou seus argumentos de forma clara, mas tem ali em seu discurso um fundo cruel de verdade, sustentada até por um amplo e longo estudo feito por dois americanos a respeito do tema. Trata-se de tema para longa reflexão. De qualquer forma, ponto para Cabral que, ao contrário de outros hipócritas que prefrem não tocar no assunto publicamente com medo de perder eleitor e, por consequencia, a boquinha, colocou o dedo na ferida que sangra. Tudo certo, tudo jogado à luz do debate e do diálogo. O que não vale mais é continuar a associar a palavra marginal a favelas. Porque a marginalidade há muito estrapolou as favelas. A marginalidade, aliás, nasceu em terreno nobre, no seio de nossa classe política, e lá continua a prosperar. Ou serão menos marginais os Renans, Severinos, Rosanas, Dirceus, Genoínos, Malufes, Quércias etc etc etc do que o ladrão de rolex no sinal?
(Milly Lacombe) |
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26/10/2007
Desiderata lança série de humor com três títulos
A sabedoria popular consagrou a máxima de que rir é o melhor remédio para combater os males da alma. É com o intuito de divertir e apresentar aos leitores os clássicos do humor brasileiro e a nova-guarda do gênero que a Editora Desiderata lança os primeiros três livros da série de humor SIGmund. A seleção dos títulos foi feita por Jaguar, novo editor de humor da editora, que volta a editar livros, ofício do qual se manteve afastado desde a extinção da editora Codecri nos anos 80. Com a chancela do ratinho Sig - o clássico de Jaguar criado para o Pasquim e agora revitalizado para batizar os lançamentos - a primeira fornada da coleção inclui os títulos "Ministério de perguntas cretinas" (120 págs. R$ 19,90) , "Assim rasteja a humanidade" (120 págs. R$ 19,90) e "Dicionário dos sexos" (80 págs., R$ 19,90). "Ministério de perguntas cretinas" une pela primeira vez o texto de Millôr Fernandes e o traço de Jaguar. "Assim rasteja a humanidade" é uma seleção de cartoons do implacável Allan Sieber, o homem que perde o amigo, a religião, o partido, a mulher, mas não a piada. "Dicionário dos Sexos", do estreante Gustal (pseudônimo adotado pelo jornalista Gustavo Alves) traduz para o português o que realmente pensam mulheres e homens. Animado, Jaguar abriu a velha agenda de contatos para reunir "o primeiro time" do humor brasileiro nos lançamentos da Desiderata. "Quero a nata aqui comigo. Gosto desta aproximação com a rapaziada. Meu tipo de humor é bastante escrachado e bate muito bem com essa turma reunida na coleção.", afirma o humorista.

(Oliver Quinto) |
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26/10/2007
Espetáculo/experiência
Vivi ontem uma das experiências mais incríveis na minha longa vida de amante de teatro, e vou falar disso em partes, como se fossem esquetes. Parênteses: quando dá tempo, vou a tudo, até para peça ruim, porque gosto da idéia de testemunhar uma obra de arte tão difícil e complexa. Eu e dezenas de pessoas _às vezes, cinco gatos pingados, mas vamos em frente. Fui ao Théâtre du Soleil, que estava até ontem em cartaz no Sesc Belenzinho com "Os Efêmeros". São oito horas de espetáculo, distribuídas entre 28 cenas. Sim, oito, 28, com dois intervalos de 15 minutos e um outro maior, de uma hora, para o jantar. Parece duro, não é.
(João Luiz Vieira)
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26/10/2007
Espetáculo/experiência Parte 3
Acostumada a montar épicos, Mnouchkine propôs algo diferente. Bem, o mundo como conhecemos está entrando em colapso, ok? Fechamos aí? O que você faria se ele estivesse praticamente encerrando? Os atores deram sugestões de histórias, ela consolidou, e o resultado é um mosaico de relações entre pais e filhos, maridos e mulheres, minorias e crianças, presente e passado. Como se fossem fragmentos de memórias. Sim, estou falando de teatro, mas parece Bergman, não? Bem, muita gente no Sesc Belenzinho pensou que estava mesmo no cinema.
(João Luiz Vieira)
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26/10/2007
Espetáculo/experiência Parte 4
Antes de comentar a obra, é preciso explicar a atmosfera. A produção trouxe cenários e figurinos da Europa de navio. Peso: 250 toneladas. Tempo: 30 dias para chegar a Buenos Aires, primeira parada da turnê _ que agora segue para Taiwan. Na equipe, 75 pessoas, dentre elas seis crianças e a inacreditável Juliana Carneiro da Cunha, a mãe do filme "Lavoura Arcaica", há 17 anos na companhia. Com esse material físico e humano disponíveis, monta-se uma gigantesca estrutura como se fosse um pedaço da França _ ali no Belenzinho, em São Paulo. Detalhe: a turnê custou 1 milhão de euros. Além de assistir, aplaudir o espetáculo, o espectador também bebe e come o que o elenco produz. Na turnê brasileira, foram servidos cordeiro com um agridoce suco de limonada do deserto. Delicioso. E, claro, queijos e vinhos franceses. Está dando para entender que é mais que espetáculo? É uma experiência sensorial que envolve vários sentidos. Uma coisa quase mística, e olha que não sou ligado nessas coisas.
(João Luiz Vieira)
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26/10/2007
Espetáculo/experiência Parte 5
Já cansou de tanto ler? Pois eu só me cansei quando passou das 23h - com o trânsito e as chuvas, tive de sair de casa às 13h30, ou seja, é um mergulho, uma abdução num mundo paralelo e onde cansar só atrapalha. Segurei o tempo que deu, pois como luxo hoje em dia é sentir o que só eu posso sentir, e não comprar o que só eu posso comprar, sabia que seria um dia luxuoso. Vamos ao espetáculo: como são 28 esquetes, um cenário único não seria possível. Solução: discos de madeira, como se fossem plataformas quase rentes ao chão e com rodinhas. Eles é que eram os cenários. Em cima deles, TVs, sofás, camas, vitrolas, tudo o que pudesse mimetizar aquele corte memorialista. Os atores, quando não estavam em cena interpretando, revezavam-se na posição de "giradores" e "empurradores" desses discos. Se era cena com velhinhos, estava lá a toalhinha de renda e o sofá puído. Se existia um telefone, ele tocava. Se existia um aquário, lá se viam os peixes. Se existia comida, um fogão que cozinhava, e comida de verdade servida em cena _ saindo fumaça e tudo. Um realismo inacreditável, dificílimo de reproduzir e, principalmente, de transportar de navio da Europa.
(João Luiz Vieira)
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26/10/2007
Espetáculo/experiência Parte Final
Os atores: concentradíssimos, não erram uma única palavra, nenhuma pausa, mesmo com o dilúvio de ontem. Se errassem estariam ferrados. Como falam em francês _ sim, oito horas assistindo um espetáculo numa língua que não é a sua _ e a legenda eletrônica é simultânea, falhas poderiam ser fatais. Além disso, a capacidade que eles têm de mudar de cara, de andar, de voz, de intenção em cada esquete é sensacional. Eles riem e choram em cena e, se fracos, a canastrice seria bem evidente. Destaque absoluto para Juliana Carneiro da Cunha _ estupenda, diferente nas 13 esquetes que participa _, Delphine Cottu _ 12 esquetes _ e a iraniana Shaghayegh Beheshti _ que criou uma personagem, a sra. Perle, que mistura lirismo e loucura numa impressionante transformação física. Detalhe: os camarins são abertos ao público. Dá para acompanhar a transformação dos atores que parecem estar num set de cinema, tamanho o volume de roupas, sapatos, perucas e maquiagem espalhados por lá.
(João Luiz Vieira)
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26/10/2007
Check-up completo
Deu em todos os jornais de hoje: o senador Renan Calheiros pediu licença de dez dias do mandato "para fazer exames médicos". Acho muito conveniente que, nesse momento crítico, o senador tire uns dias para cuidar da própria saúde. Afinal, estresse é coisa muito séria. Gostaria de aproveitar e sugerir alguns exames ao senador.1. Exame dermatológico. Muitas vezes, durante um momento de estresse, a pele dos políticos fica prejudicada: espessa, dura mesmo, extremamente oleosa, e com uma coloração diferente, meio amarronzada, com ranhuras. Vale a pena checar, antes que o estrago seja muito grande.2. Exame oftalmológico. Em momentos de crise, quando todos duvidam de você, pode ser difícil se olhar no espelho de manhã. Casos de vista embaçada ou dirtorcida, que fazem com que você evite o espelho a qualquer custo, são comuns em políticos. Mais uma boa sugestão.3. Exame cardiológico. Dizem que, quando você mente, o coração acelera, a pulsação sai do controle, o suor aumenta. É preciso sempre prestar atenção nesses sintomas, especialmente se o paciente é de Brasília.4. Exame do fígado. Não está comprovado, mas muita gente acredita que sentimentos como culpa e raiva prejudicam o órgão. Deputados e senadores deveriam fazer exames regulares.5. Exame de consciência. Pensando bem, é melhor tirar esse da lista. Costuma custar muito caro e, na maior parte das vezes, a gente já sabe o resultado, não é?Se você acha que esqueci algum exame, faça você também sua sugestão. Os políticos agradecem.
*Para saber mais sobre o caso Renan, leia aqui.
Foto: Roberto Jayme/AE
(Marisa Adán Gil) |
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